Je lis, je rêve, j’écoute. Je sens et je me tais. J’écris. Pour oublier que de vie à vide il n’y a qu’une lettre. Que de trêve à trépas il n’y a qu’un pas
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Elena, não consigo te esquecer desde que nunca te tive. E eu não sinto mais meus pés ao pisar no chão do tanto que penso em ti. Do tanto que te lembro, do tanto que teu cabelo ficou nos meus dedos e seus olhos fincaram no meu coração quando te vi pela janela atravessando a pista pela última vez. Elena me desculpa por ser assim. Eu te procuro por tudo que é fresta e sua alma já deve estar impaciente, tanto quanto a minha. Eu me sinto cansada Elena, e eu queria te dizer. Os anos vem e vão, e você nunca vem. As águas correm e meus olhos nunca se secam, as flores desbotam e o cheiro que fica é perturbador. Eu tô cansada Elena, de todas essas marcas. Tô cansada se sentir teus dedos miúdos me apertarem a pele, toda vez que estou sozinha. Eu fico muito sozinha agora. Eu não gosto mais das pessoas Elena, de ninguém. Nem de você. Mas eu não esqueço do amor que carreguei sozinha nas costas e que com o tempo, me quebrou. Os ossos perfuraram a carne Elena, perfuraram o coração e é assim que eu me sinto. Ou não sinto
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(Mais um da Lua pra Flor)

Tamanha imensidão de cores que você não consegue ver. Tudo se torna fosco. Acho que te ceguei, sabe? Não consigo achar que você possa mesmo, me querer. Me sinto tão pouco de baixo desses teus olhos tão grandes, acho que foi de tanto me diminuir pra caber nos teus pequenos braços, nos teus sempre tão curtos abraços, e no teu coração, de qualquer maneira que fosse. Eu tenho medo de abrir minhas asas e te empurrar pra bem longe daqui. Às vezes parece que não cabe no mundo um eu e um você. Por isso vez ou outra me dobro pra você se esticar. E você se esticando me machuca.

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Ela é olho, eu sou boca.
Mas às vezes me engole com suas pupilas gigantes. E me cala.
Eu trago um cigarro. Eu a trago pra dentro.
Ela finca por dentro, se agarra, fazendo de conta que nunca esteve ali.
Respiro, não morro. (quase)
Ela é pés, eu sou mãos.
Firme, e eu tato
Mas às vezes ela sai andando por aí.
Às vezes ela até corre. Minhas mãos gesticulam, ela não volta.
Ela não volta e eu não me canso de esperar.
Eu faço que vou embora e ela ressurge
ela volta mas não parece que vai ficar.
Ela nuca, eu costas
Se arrepia, me arqueio.
Ela braços, eu pernas.
me abraça, me toma, me retém
me dobra, me aperta, me empurra também.
Eu chamo, peço, clamo, me abro, desabrocho.
Ela é peixes
eu sou lua e nunca aprendi a nadar
Ela canta e eu não sei dançar.
se sou Eva, ela serpentina,
brinca de ser mulher, mas é minha menina,
Toda vez que desfio, ela se alinha
Eu tô sentada, e quando vou pra roda
ela já não está.
se sou as flores de um jardim ela é o ventar.
Ela aparece quando já dobrei a esquina
ela é mulher dos outros
mas é minha menina

apregoar:

mas acontece que eu sou frágil. a minha felicidade é frágil. a minha doçura é frágil. as minhas veias são frágeis; e qualquer objeto pode ser fatal. qualquer palavra pode ser fatal. qualquer distância me faz mal. mas acontece que eu sou frágil. um olhar pode me deixar mal. uma pessoa pode me deixar ao avesso. uma palavra e dez tropeços. eu posso fugir. eu posso deixar de existir. mas eu sempre volto, porque eu sou frágil. e vivo assim.

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Lua e flor:

Assim é eu e tu,
eu aqui, tu ali,
em comum só um punhado de amor.
A lua se apaixonou pela flor, mas essa não a via, só ficava olhando pro chão.

CR